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domingo, 3 de abril de 2011

Com o que você cisma?


Engordei 3 kg e para mim isso é a morte em vida. Sinto como se tivesse engordado 30kg. Sento e parece que minha barriga imensa repousa entre minhas coxas, escorrendo para os joelhos. Mas quando me olho no espelho não me vejo gorda! Quer dizer me vejo gorda, mas sei que é fruto da minha preocupação exagerada em não engordar. Na verdade estou apenas 3kg acima do peso indicado para minha altura. Mesmo assim me sinto uma orca, uma bolha assassina, um hipopótamo pesado daqueles que mal conseguem se locomover, um leão marinho que se arrasta pela terra. Sim, isso é cisma! Quando a gente cisma com uma coisa é o inferno na terra!

Não sou velha! Tá bom, não tenho mais 20 e poucos anos, mas tenho consciência que ninguém me olha e diz: - Aquela velha ali, óh! - No entanto me sinto consumida pelas rugas, não são mais rugas, são vales imensos, acho que minha pele está tão flácida que se cortasse o excesso dava pra fazer cinquenta casacos de pele humana! Os cabelos brancos parecem gritar na minha cabeça! Enfim, me sinto podre de velha! Mas eu estou velha? Não! Minha dermatalogista diz que estou vendo pelo em ovo, que minha pele tá ótima e saio de lá desolada! Sabe o que é isso? Cisma! Quando a gente cisma com uma coisa é uma praga!

E você? Cisma com o que?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lya Luft - exemplo de envelhecimento


Sei que temos vários exemplos na nossa sociedade de pessoas que já poderiam ser consideradas velhas, mas não carregam esse título de forma pejorativa. São pessoas que se libertaram, transcenderam, vivem suas vidas normalmente independente da idade que tem. Infelizmente essa parcela é uma minoria, ainda, e um exemplo dessa minoria é a escritora Lya Luft.

Dia desses vi uma entrevista da Lya no programa da Marília Gabriela, e fiquei encantada com aquela senhora de 72 anos, tão lúcida, com opinões tão atuais, com uma vida tão ativa, acompanhando as mudanças que ocorrem ao seu redor. Comparando com minha mãe, que praticamente está meio inválida, não por doenças degenerativas, mas por estagnar em algum lugar do tempo. A mente não funciona mais, não porque falte condições para isso, simplesmente porque houve uma desistência em acompanhar o mundo e sua evolução. E tantos e tantos velhinhos que estão exatamente na mesma situação, reclamando de tudo, num mundinho pequeno, totalmente voltados para o passado.

Já que envelhecer é inevitável, a não ser que eu morra antes disso, quero muito continuar sempre acompanhando o mundo. Não quero parar no meio do caminho. Não desejo ser uma Suzana Vieira que acha que pode voltar aos 20 anos com plásticas, mas uma Lya, consciente que é possível ter dignidade, respeito e admiração em qualquer idade...

E para fechar, um trecho de um texto da Lya Luft, que só quem chegou na idade que ela está, pensando e agindo como ela, é que pode ter autoridade pra escrever isso, sem que pareça um texto de autoajuda.

"...Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça, seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer."
(Lya Luft)