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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O fim de um ciclo...

Trabalho no Tribunal de Justiça desde 1992 e de todos esses anos,  nove anos trabalhei no cartório que estou atualmente. Confesso que quando fui para lá estranhei bastante, um povo "caxias", tudo muito certinho, tudo muito perfeitinho, como nunca tinha visto em nenhum outro cartório e sempre foi um lugar que nunca se encaixou no esterótipo do serviço público onde nada anda, nada funciona. Lá tudo sempre funcionou muito bem. 

Com o tempo, fui me apegando às pessoas, a gente foi formando um grupo legal, divertido, unido, pra cima, uma turma que estava sempre brincando, trabalhando muito, mas sempre com muito bom humor. Organizávamos festas, saíamos para as baladas, enfim era uma turma unida. Com o tempo meio que virou uma família mesmo, onde todos se ajudavam. Sempre me senti bem lá, acolhida, compreendida. Claro que como todo "casamento" tinha seus dias ruins, mas na soma o saldo sempre foi bem positivo.

Mas em 09 de março desse ano recebemos a notícia que nosso cartório seria extinto para que pudesse ser aberto um outro cartório num outro fórum. Na verdade é o que eles chama de transformação, já que a existe uma lei que limita um número x de cartórios, então como tinha uma necessidade muito maior de um cartório nesse outro fórum, eles aproveitaram que o nosso ficou sem juiz por conta da nossa juíza ter sido promovida a desembargadora e foi o escolhido.

Com isso temos convivido no decorrer desse ano com esse fantasma da extinção. Quando vai ser? Como vai ser? Para onde vamos? Para que cartório iremos? Ficaremos no mesmo fórum ou não? Enfim uma novela mexicana estressante demais que se arrastou por todos esses meses, mas que agora chega em seus últimos capítulos. Do dia 03 ao dia 10 de outubro será a redistribuição dos processos. Ou seja, do dia 13 estaremos todos em algum lugar que ainda não sabemos...

Nesse cartório eu fiz uma grande amiga, aquela para quem eu conto tudo, aquela com quem compartilho meus dias, aquela com quem convivo cinco dias da semana uma de frente para outra. Uma sabe tudo da vida da outra. Acho que nossa convivência é mais do que muitos casamentos, é uma cumplicidade enorme, são muitas horas de convivência, em muitos momentos em que a gente está de péssimo humor e sempre relevando e sempre se respeitando. Se a gente se destendeu umas três vezes nesses nove anos, foi muito. Acho que de tudo isso, perder essa convivência com essa amiga é o que mais me dói, é o que mais me entristece. Eu sei que a gente vai continuar sendo amiga, a gente já conversou sobre isso, mas sabemos que igual ao que é, não será. Essa possibilidade de estarmos juntas tanto tempo assim, não teremos mais. A vida vai se encarregar de levar cada uma por um caminho, mesmo que a amizade permaneça intacta, mas essa convivência a gente não vai ter, e a gente lamenta isso.

Quando você encerra um ciclo porque achou necessário é uma coisa, mas quando encerram um ciclo por você, sem que você queira, fica como se algo tivesse quebrado dentro da gente....

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O que é o fracasso?


Um dia desses me deu vontade de escrever sobre isso, daí logo depois a vontade passou. Fiquei pensando nas pessoas lendo e dizendo para eu deixar disso, que não é bem assim do jeito que estou vendo, etc e etc. Aí achei realmente que pouca gente me daria razão, ou talvez nenhuma pessoa me desse razão. Então para que escrever sobre isso? No entanto, ando recebendo emails constantemente, em que pessoas me pedem conselhos, contam seus problemas, esperam que eu solucione a vida delas. E achei isso de um paradoxo total. Eu aqui sentindo que fracassei e pessoas achando que posso solucionar a vida delas. Daí resolvi escrever esse post, com o intuito dele ficar como o post resposta, que passarei para todos os emails que receber daqui por diante.

O que é o fracasso para mim? Nossa, como já pensei a respeito disso no decorrer da minha vida. Lá no início da minha juventude, tinha um conceito sobre fracasso, hoje me vejo dentro do próprio conceito de fracasso que tinha, mas ao mesmo tempo tenho consciência de tudo que conquistei.

Acho que o PC Siqueira, que tanto gosto (vídeo abaixo), definiu de forma absoluta, o que penso sobre o fracasso. É não obter sucesso, não conquistar aquilo que você mais desejou para a sua vida, aquilo que sentia como mais importante. Nesse quesito sinto que não obtive êxito. Acho que tudo que fiz na minha vida, foi para que num determinado momento qualquer, olhasse em volta e me sentisse acompanhada de gente que me completasse. Daí hoje em dia, olho minha vida e vejo tantas relações desfeitas, família me baniu, amigos vivendo suas vidas distante em sua maioria, relacionamento amorosos zerados faz tempo. 

Se sei que tive vitórias? Claro que sei, conquistei meu corpo e minha identidade, conquistei um emprego legal que me dá sustento, conquistei casa para morar. Não sou um fracasso no sentido geral da palavra, apenas habita em mim uma sensação de não ter conseguido êxito no que mais queria, me sentir realmente acompanhada de pessoas que gosto.

Daí no meio disso as pessoas leem meu blog e acham, por um motivo qualquer inexplicável, que  posso dar conselhos, ajudar exatamente naquilo que sinto que fracassei, nos relacionamentos humanos de todos os tipos. Pior ainda é que acham que tenho especialidade em relações amorosas, aquelas que não tenho há anos. Como posso ajudar alguém nesse sentido se não consegui me ajudar?! Então, gente,  precisava, sim, escrever como me sinto em relação a isso. Se não adiantar para mais nada, se ninguém entender o que está escrito aqui, pelo menos esse post vai servir como link de respostas para essas dezenas de emails que chegam para mim.