sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dia dos Pais...

Não costumo fazer posts para comemorar datas comerciais, como esses "dia de", exceto umas poucas, como o Dia do Amigo, que não se tornou um comércio, ainda... rs... Mas vou aproveitar essa data para desabafar... Dia dos Pais sempre foi uma data que me deu uma certa agonia, porque me via obrigada a parabenizar meu pai, sem ter quase nenhuma ligação com ele... Mas como era ele que tinha o "poder" durante minha infância e adolescência, eu não podia escapar...

Na minha fase de adolescência levei muitas surras do meu pai, muitas mesmo. Algumas vezes, já levantava da cama apanhando por motivos infundados. Mesmo assim fui aguentando porque tinha que aguentar... Minha mãe não podia fazer muito, porque dependia dele financeiramente e até psicologicamente... Já com meu irmão tinha uma grande identificação e os dois se davam bem... Anos mais tarde, vim saber da exploração financeira que me pai fazia com meu irmão... Mesmo assim os dois tem uma ligação forte....

Na minha fase adulta, comecei a ter a minha independência financeira e fui me libertando cada vez mais do meu pai. Até porque foi a época que percebi que o discurso dele era o oposto de como agia, ou seja, falava bonito e era um perdulário egoísta, alcoólatra... Ele e minha mãe começaram a se desentender cada vez mais e acabaram por continuar um casamento torto, morando em casas diferentes... Morei com minha mãe durante mais alguns anos nessa situação e foi a chance que ele teve de se desvencilhar de todos os problemas da família. Passei a pagar todas as contas da casa... E quando fui morar sozinha, acabei dividindo as contas da casa da minha mãe, com meu irmão...

Se sentindo livre financeiramente do meu pai, minha mãe praticamente cortou relações com ele... E assim foi durante muitos anos... Até que de uns dois anos pra cá meu pai começou a ficar doente... E egoísta como é, acha que toda a família tem que cuidar dele... Eu que já não tinha nenhuma relação com ele devido a vários desentendimentos, simplesmente ignorei o fato, já que meu irmão, que sempre foi o amigo dele, está ajudando. Acho que nada mais justo, já que eles sempre unidos nas horas alegres, que sejam nas tristes...

O problema da questão é... Como meu pai sempre foi um irresponsável, gastador, hoje em dia ele não tem absolutamente nada, quase nenhuma renda financeira... E meu irmão sensibilizado com a situação dele, quer obrigar a minha mãe a hospedá-lo na casa dela... Ou seja, na época que tinha saúde ela não prestava, agora que tá doente ela presta pra cuidar dele. Eu sou contra essa situação, mas tenho muito pouca voz ativa, porque há muitos anos que não tenho contato com ninguém da minha família, que não seja minha mãe... Minha mãe não se impõe, e está ficando deprimida por conta de não querer cuidar do meu pai. Digo pra ela não aceitar e dizer que não quer ele lá. Se meu irmão quer tratá-lo que leve pra casa dele... É muito fácil fazermos boas ações através do sacrifício dos outros...

São por essas coisas que nunca concordei e fui contra, que acabei virando a ovelha negra... E assumi o papel que me foi dado, agora não esperem que eu vire santinha, porque isso não vou fazer, se eu não presto pra me reunir com eles no Natal, também não presto pra resolver problemas... E sempre pensam em mim quando a situação fica difícil. E eu sempre tiro o corpo fora, porque só lembram de mim nessas horas... Só não ajo assim como minha mãe, pra ela sempre estarei disponivel, porque nunca me virou as costas...

Bem contei esse blá blá blá, não foi exatamente pra me explicar sobre meus posicionamentos, até porque não sou boazinha, só trato bem quem me trata. Quero mesmo é fazer umas perguntas:

- Vocês acham que minha mãe, sob pressão do meu irmão, deve tratar do meu pai, agora que ele está doente, se na época que ele estava bem, não queria saber dela?

- Vocês compreendem essa postura do meu irmão de querer ajudar meu pai através do sacrifício da minha mãe?

14 comentários:

Monica™ disse...

Entendo vc perfeitamente pq tb tive sérios problemas com meu pai, não diretamente comigo, mas se tratando de família já estamos automaticamente incluídos. Mas tenta se colocar no lugar da sua mãe. Situação punk, eu sei, mas em situação semelhante creio eu q minha mãe iria acolhê-lo apesar de todas as canalhices q meu pai aprontou na vida, com ela, com tanta gente ... a mim só restaria apoiá-la.

Lou Medeiro disse...

Olá!!^^
Para somente colocar meu ponto de vista, acredito que você não esteja errada.
Vai da consciência de cada um, se seu irmão acha que tem o dever de ajudar seu pai agora, que ajude, mas ele não pode, na minha opinião, não tem nem o direito de querer jogar essa ajuda nas costas de ninguém, principalmente de sua mãe, que pelo que pude entender, seu pai nunca tratou bem...
Meus pais são separados e vejo que, por mais que minha mãe tenho o amado quando estavam juntos, ele a "danificou" emocionalmente de uma forma que agora ela é totalmente fria com, mas diferente de seu pai, o meu nunca "deixou" de se importar comigo e com minha irmã. Mas ele não procura muito e tem uma mulher com quem é "casado" agora, portanto se ele passasse por isso, deixaria a cargo DELA que cuidasse, já que ele a escolheu.
Seu irmão não está errado, mas você precisa ajudar sua mãe a entender que ela não tem DEVER NENHUM de ajudá-lo.
O meu terá parabéns, mas não presente...
Parabéns, seus blogs são muito bons e criativos, adorei!!
Beijos, Louise.

Rê Ura disse...

Olha assuntos de família sempre são delicados. Mas eu imagino que você tenha magoa do seu pai e sinceramente isso é normal, mas não faz bem á você.
Acredito que sua mãe não tenha mais responsabilidade de cuidar do seu pai, cada um com seus problemas a partir do momento que se separaram. Quem tem que cuidar dele são vocês, filhos! Eu sei o quanto te irrita que te procurem somente na hora dos problemas e até entendo que você coloque o corpo fora na maioria das vezes (sou muito parece contigo, nesse ponto), mas dessa vez trata-se de doença! Acho que como seu irmão tem uma relação melhor com seu pai, deve sim ficar com ele, mas não custa ajudar um pouquinho né. Se ele foi injusto com você em tempos anteriores, não se iguale á ele, seja melhor!

Boa sorte e tente deixar a magoa de lado... Eu ando tentando deixar e tem me feito bem viu!

Beijos e bom final de semana.

Flor de Lótus disse...

Olá, Cara Dama!Quanto ao comentário lá no blog se eu achar o homem que estou procurando e ele tiver um irmão ou amigo pode deixar que te aviso.Minha cara, família é um assunto complicado, seu irmão quer fazer o famoso "Cumprimento com o chapéu dos outros" quer bancar o bonzinho fazendo sua mãe ter que cuidar do seu pai, o que não é nada justo,mas se ela bm não sabe se impor complica tudo,mas se ela quer fazer isso é um direito dela.
Um ótimo fim de semana!
Beijoss

Andrea Pagano disse...

Oiee Dama!

Agora posso entender porque andas antagônica e vezes de momentos não gratos...As coisas voltam como uma bomba na cabeça e no coração...
Quando li seu relato, quase que ví meu pai, com pequenas alterações, mas vi.
Meu pai faleu de cancer há 5 anos atrás, quando já estava cuspindo sangue, tomando morfina em casa, minha madastra me ligou e pediu para que eu fosse lá cuidar dele.
Eu respondi NÃO, ainda falei para ela, quando vcs enchiam a cara e curtiam a vida, eu trabalhava para me sustentar e agora que estou com uma filha de 1 ano, não vou largar meu marido e minha filha para ficar ai cuidando dele, sendo que o cancer é fruto de cigarro e de muita bebida... Fora que ela tinha duas filhas para cuidar, menores, ambas com 12 anos, mas tinha.
Não me arrependi, porém no enterro me olharam com condenação e olham até hoje como se eu fosse a pior filha do mundo. Minhas irmãs não falam comigo. Foi o preço que paguei por não ter sido a filha que esperavam no final da vida dele....
Meu lado CRISTÃO, exige que eu fale para vc e sua mãe cuidarem dele, pois logo ele morre e talvez isso faça mais bem para vcs do que para ele...
Perdoar sempre faz mais bem à nós do que o ser que estamos perdoando, isso é fato testado e comprovado!
Meu lado mulher, que passou por coisas semelhantes fala para vc falar para seu irmão leva-lo para casa dele e ele bancar uma enfermeira (vcs podem até dividir se for o caso) ou ele mesmo cuidar e se virar, sem colocar sua mãe no meio (isso é o que achamos justo...Será???) mas, saiba que ele vai jogar isso na sua cara todas as vezes que lembrar da doença ou morte de seu pai...

Decisão difícil amiga, muito difícil...

O que posso dizer é que deite e peça a Deus colocar no seu coração o que vc vai se sentir melhor fazendo e faça!

Doa a quem doer, ou a ele ou à sua mãe ou até seu irmão...Mas faça o que o seu coração falar à vc...Porque sei que aqui vc colocou um mínima parte e o resto, o sentimento e tudo que senti em relação à isso tudo e todas os envolvidos, só Ele e vc é que sabem...

Bjs querida, espero sinceramente que tome a decisão melhor para todos!

Bom findi para vc!!!

Marcos disse...

De maneira alguma sua mãe deve aceitar seu pai na casa dela. Ela não tem essa obrigação, ela deve colocar ele em um asilo. Ou peça para seu irmão cuidar dele.

Não sou cruel mas não acho que a velhice deve apagar o quão ruim a pessoa foi durante a vida.

Seu pai não está arrependido, ele está precisando de ajuda e para isso que o Estado disponibliza lugar para pessoas com problemas, basta procurar.

Mas você deve sim se impor para evitar que sua mãe tome uma atitude emocional e depois fique com o "problema" para ela...

Meu pitaco esta dado!

Bjs

VaneZa disse...

Eu estava lendo e acabei me lembrando de algo que eu sempre penso quando leio você ou a Andrea... vocês são duas mulheres incríveis... cada uma com sua particularidade.

Passaram e passam por situações que desafiam a sanidade mental e conseguem transformar tudo em aprendizado. Não consigo imaginar nenhuma de vocês duas passando a mão na cabeça de ninguém. Afinal... ninguém passou a mão na cabeça de vocês.

E quando eu analiso os meus problemas e leio textos como esse... como aquele do Confissões que eu te falei que fiquei perplexa... e aqueles textos profundos da Andrea... eu vejo que eu ainda tenho muito que aprender.

Eu me sinto honrada por ter vocês duas de certa forma próximas a mim.

Lembro que meu marido costuma dizer que blog é falta do que fazer... pra mim... ler vocês duas é um aprendizado.

Quanto às perguntas finais (adoro isso... tenho posto sempre em prática nos meus textos)... sem querer te chatear... teu irmão é um falso moralista. Você já propôs a ele, assim na cara dura, para ele levar seu pai para casa dele? Eu queria só ver a reação dele. Realmente é como você diz... é muito fácil fazer caridade às custas dos outros.

Agora eu sinto que o fato de você escrever esse post parece que você meio que fica em dúvida se o modo correto de agir enquanto ser humana não seria permitir que sua mãe cuide dele e até ajudar nisso finaceiramente. E aí eu te digo... só o fato de você pensar nisso, só o fato de você escrever esse post... já mostra que você é um grande ser humano.

Então... o que eu diria... como até a própria Andrea já falou... peça a Deus que te ilumine... só ele pode te dar essas respostas. E qualquer que seja a sua decisão... na boa... você já fez e muito por ele... só pelo fato de cogitar a possibilidade de ajudar.

BeijoZzz

Robson Schneider disse...

Olha minha amiga...os outros (incluindo o meu) eu não sei.Mas eu mereço ser comemorado no dias do pais hehehehehe

citadinokane disse...

Dama,
A tua história é a minha história, não tenho contato nenhum com meu pai por situações parecidas... Em relação a minha mãe somos sintonizados e seguimos com os corações colados. Não tenha medo de tomar essa posição diante do teu irmão. Preserve a saúde da tua mãe, ela não merece ficar/carregar uma pessoa que nunca pensou na família.
O resto é contigo.
abs

P.S.: sou pai e sei da responsabilidade que Deus depositou nos meus ombros.

Cosette disse...

Dama, vim alegre e fui me sentindo muito triste conforme ia lendo a sua história. Deve ser porque eu tenho uma ligação muito forte com o meu pai ( talvez mais do que com a minha mãe) e ler algo assim simplesmente me abala a todos os níveis. Acho muito triste.

É assim, é sempre muito complicado dar uma opinião sobre uma situação que desconhecemos, e torna-se ainda mais complicado quando se trata de família, né? Mas vou tentar, e espero não ferir os seus sentimentos de nenhuma maneira:

Eu entendo o teu posicionamento, e acho que consigo compreender o que você sente. Numa situação destas, o nosso primeiro impulso é negar terminantemente estendermos as mãos àqueles que nos fizeram mal. Àqueles que nos feriram mais do que fisicamente: emocionalmente. É anormal e não a recrimino por isso.
Eu vivo uma situação semelhante na minha família: tenho um tio ( não o Jean, é claro), irmão do meu pai, que foi filho da p*ta desde que nasceu: ganancioso, oportunista, cínico, não perdia a oportunidade de passar a perna a quem quer que fosse, enfim, mal carácter até não poder mais, sabe? Casou, teve duas filhas, divorciou-se 19 anos depois e hoje pode-se dizer que não tem ninguém. As filhas não o suportam, ele e o meu pai passaram 30 anos quase não se falando ( tanto que eu só o vi uma vez na vida, e não tenho contacto algum com as minhas "primas") e quando o meu avô faleceu em 2008, cortaram completamente as relações. Para ele, o meu pai morreu e para o meu pai, nunca teve irmão.

Bem, eu não estou aqui para contar a minha biografia, estou para dizer que, apesar de tudo o que ele ( meu "tio") fez para o meu pai, apesar de toda a safadeza e de ter a certeza de que ele nem sequer se lembra de que tem uma sobrinha, eu jamais recusaria ajudá-lo. Sabe por quê? Porque eu sei que se ele se virasse para a minha família, eu seria a sua única esperança. Dos quatro aqui em casa, eu seria a única a estender-lhe a mão. Mas isso sou eu, faz parte da minha natureza não guardar rancor dentro do peito.

Eu não sou religiosa, mas acho que durante a vida passamos por uma série de testes, provações por assim dizer, que têm como objectivo nos desafiarem a mostrarmos a nossa força e, neste teu caso, a nossa capacidade de sermos solidários e, quem sabe, de perdoar.

Dama, com isso eu não quero dizer para você ir lá e cobrir o teu pai de abraços e beijos. Mas acho que você e o seu irmão, juntos, têm que encontrar uma saída razoável, que não piore a saúde dele nem comprometa a da tua mãe. Quanto a ele ir viver com ela, sou terminantemente contra. Pelo que você contou, ela já passou por muito e merece descanso. Mas eu acho que você não deve lavar as mãos, sabe. Não retribua a crueldade que você sofreu durante a adolescência. Não deixe que a amargura fale mais alto. O teu irmão tem que ser razoável, e você flexível. Afinal, cá entre nós, estamos falando do teu pai. Pode não ter sido exemplar, pode até não ter estendido as mãos quando você mais precisou, atrevo-me a dizer que ele pode até não merecer o teu esforço, mas então, ajude-o não por ele, mas por você.

Os papéis inverteram-se: Dama, não seja uma repetição do que ele foi para você!

Bem, é isso que eu acho. Haja conforme mandar o seu coração, tá? Mas antes, dê uma limpadinha, assopre o pó e só depois tome uma decisão definitiva.

Desejo que tudo fique bem.

Beijos,

Elaine Gaspareto disse...

Deixa eu te dar um exemplo?
Tenho uma tia querida, que foi casada com um homem mau. Ele foi embora e quando teve câncer voltou e ela cuidou dele até morrer. Todo mundo a elogiou. Um dia ela me disse: foi uma desgraça, aquele filho da puta acabou com minha paz. Ainda bem que morreu. Jamais aceitaria ele em casa de novo para agradar filhos e netos. Eles não quiseram e sangue dele eu não tenho, quem tem são os filhos e nem eles quiseram.

Fim.
Quer colher laranja? Não plante limão. Se sua mãe se render ela vai sofrer. Sem erro.
Culpa é uma merda, e se seu irmão está penalizado, cuide ele.
Aff, que isso me irrita.
As pessoas veem um velhinho e esquecem que os canalhas também envelhecem.
É isso aí.
Beijo

Fê Miceli disse...

Provavelmente hj à noite, depois que tds forem dormir, irei postar alguma coisa à respeito deste dia dos pais. Pois assim como vc, este dia não me traz muitas alegrias. Não possui hj em dia quase nenhuma ligação com o meu, desde que se separou de minha mãe e as raras notícias que tenho do dito cujo vêm de minha tia - irmã dele - e da minha irmã por parte de pai. Ligação, não possuo nenhum, Sentimento tb não. Somos praticamente dois estranhos para mim desde os meus 10 anos de idade. e as marcas dele para mim somente as negativas e as recusas à minhas necessidades e carências paternas, financeiras e emocionais. Então, deletei-o de minha vida. Em seu lugar ficou a mais generosa, amorosa, aiga, companheira e compreensiva PÃE que eu conheço e tenho: minha mãe! Apesar de por parte dela não me faltar nada, tds os dias dos pais inda tenho uma vazio no peito, uma tristeza no olhar e um nó na garganta. Mas enfim... amanhã é segunda-feira! Dia de renovar as esperanças...

Beijossssssss

Flor de Lótus disse...

Olá, minha cara Dama!Quanto ao que vc comentou lá no meu blog sobre o olhar eu acho que sou assim também se algo me desagrada isso é nítido nos meus olhos por mais que eu tente disfarçar sou extremamente transparente.
Cuide-se!
Uma ótima semana!
Beijosss

Jean Valjean disse...

Li o que minha sobrinha escreveu sobre o outro tio, lá do outro lado, e sou obrigado a concordar com ela.
Há um capítulo no Evangelho sobre o 'honrar pai e mãe' e a 'piedade filial'. Meu, você não imagina o que eu já passei na minha família. Meu pai não foi muito bom para mim, nem para minha mãe. Meus irmãos, os preferidos dele, faz dois anos, quiseram pô-lo num asilo, depois que foi atropelado. Eu o recolhi aqui na minha casa.
Também - igual à Cô - não sou religioso. Fui, um dia. Faz tempo. Não sou mais. Mas eu não me sentiria bem se simplesmente pagasse com a lei de talião o que meu pai me fez: olho por olho, dente por dente.
Piedade? Não, não foi essa a palavra. Eu não senti piedade. Eu senti uma espécie de dever. Sabe quando Jesus mandou Ananias cuidar de Paulo, depois do incidente na Estrada de Damasco? Sabe quando Estêvão (Jochedeb) perdoou Paulo, que lhe determinara o apedrejamento? Então... eu me senti como que dando ao meu pai uma segunda chance. Errar é humano. Às vezes, é só na doença ou na velhice que a pessoa se redescobre. Eu já estou aí beirando os 50 e me vejo obrigado a rever minha conduta todo santo dia (e todo dia santo, também).
Foi bom ter acolhido meu pai. Não pense que ele ficou muito agradecido, pois não ficou; entretanto, na minha mente eu fiz algo certo (posso estar errado): bem ou mal, ele me trouxe à vida. Enquanto eu for vivo, a ele eu devo (tenha ou não pedido para vi) a preservação da vida dele.
Sei lá. Também já fiz tanta burrada na vida, e se não fossem as pessoas que me compreenderam, que relevaram... as pessoas resilientes, tolerantes... sei lá, talvez eu nem estivesse aqui.
Eis aí a minha experiência de vida (longe da religião, embora a menção a fatos bíblicos) aí, para você ver se serve ou não.
Com carinho,